A maternidade quase me destruiu: como lidar com a sobrecarga materna sem rede de apoio
Entenda como lidar com a sobrecarga materna quando você não tem rede de apoio. Minha experiência real como mãe e estratégias que me ajudaram a recuperar minha identidade e saúde mental.
DICASMATERNIDADE REAL
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Eu amo minhas filhas. Essa é uma das maiores verdades da minha vida. Elas trouxeram um amor que eu nem sabia que existia e transformaram completamente a forma como eu enxergo o mundo. Mas junto com esse amor veio uma realidade que poucas pessoas falam: a maternidade pode ser muito solitária quando você precisa enfrentar tudo sem uma rede de apoio.
Durante muito tempo, achei que o cansaço fazia parte da rotina de toda mãe. Eu pensava que era normal estar sempre exausta, sempre pensando no próximo problema e deixando minhas próprias necessidades para depois. Até perceber que não era apenas cansaço físico. Era a sensação de que minha mente nunca desligava.
Eu cuidava das necessidades das minhas filhas, da casa, do trabalho, do casamento e ainda carregava o peso de ser o principal suporte emocional da família. Foi então que uma pergunta começou a surgir dentro de mim: em que momento eu deixei de ser vista como mulher e passei a existir apenas como mãe e esposa?
Porque quando um filho nasce, nasce também uma mãe que precisa ser cuidada. Todos perguntam se a criança está bem, mas poucas pessoas param para perguntar: “E você, como está?”. A maternidade é linda, mas nenhuma mãe deveria precisar carregar tudo sozinha.
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A parte mais difícil não era cuidar das minhas filhas
A parte mais difícil da maternidade não era cuidar das minhas filhas, era sentir que eu precisava fazer tudo sozinha. Muitas pessoas romantizam a mãe que trabalha, cuida da casa, acompanha os filhos e ainda consegue cuidar de si, mas poucas perguntam: quem cuida dessa mãe?
A sobrecarga foi acontecendo aos poucos, até o dia em que percebi que tinha me perdido de mim mesma. Eu me perguntava: “Do que eu gosto?” E a resposta foi dolorosa: “Eu não sei mais”.
Eu sentia culpa por pensar assim, porque ao mesmo tempo em que amava profundamente minhas filhas, eu estava exausta e emocionalmente sobrecarregada. Foi então que entendi algo muito importante: ser mãe é uma parte maravilhosa de quem eu sou, mas não é tudo o que eu sou. Cuidar de mim não diminui o amor pelas minhas filhas. Pelo contrário, uma mãe que também se cuida consegue estar mais presente, mais feliz e mais conectada com seus filhos.
O que me ajudou a lidar com a sobrecarga materna sem uma rede de apoio
Eu gostaria de dizer que encontrei uma solução perfeita para lidar com a sobrecarga materna, mas a verdade é que ela não existe. A maternidade real não vem com uma receita pronta, e todos os dias trazem novos desafios que exigem adaptação, paciência e muita flexibilidade.
O que mudou a minha relação com essa fase não foi uma grande transformação de um dia para o outro, mas pequenas mudanças de pensamento e atitudes que me fizeram perceber que eu também precisava de cuidado.
Eu precisei entender que eu não era apenas a pessoa que cuidava de todos. Eu também era uma mulher com necessidades, sentimentos e limites. E talvez algumas dessas mudanças também possam ajudar você na sua jornada.
Aceitar aquilo que eu não consigo modificar: desenvolver resiliência
A primeira coisa que precisei aprender foi aceitar que algumas fases da maternidade são difíceis e que nem sempre eu teria controle sobre tudo. Eu queria que minha realidade fosse diferente, queria ter mais ajuda, mais tempo para mim e mais facilidade para conciliar todas as áreas da minha vida, mas naquele momento eu precisava trabalhar com aquilo que eu tinha disponível.
Entender que aquela fase não seria eterna me ajudou a respirar e parar de lutar contra uma realidade que eu não conseguia mudar imediatamente. Minha missão passou a ser fazer o meu melhor dentro das minhas possibilidades, sem me cobrar uma perfeição que não era real.
Foi nesse processo que comecei a desenvolver resiliência e perceber que, mesmo nos dias mais difíceis, eu estava fazendo o suficiente.
Organizar e facilitar minha rotina ao máximo
Outra coisa que mudou completamente minha rotina foi entender que economizar tempo nas pequenas tarefas também é uma forma de autocuidado. Quanto menos energia eu gasto tentando resolver tudo da maneira mais difícil, mais tempo sobra para coisas que também fazem parte de quem eu sou, mesmo que seja algo simples como tomar um café tranquila ou assistir um episódio da minha série favorita.
Por isso, comecei a usar tudo que estava ao meu alcance para facilitar meu dia a dia. Investi em um aspirador robô e foi uma das melhores decisões que tomei, porque enquanto ele limpa a casa sozinho, eu consigo aproveitar esse tempo para fazer outra coisa.
Também não abro mão da air fryer, que me ajuda a preparar refeições de forma muito mais rápida. Também passei a limpar a casa apenas uma vez por semana e cozinhar algumas refeições em maior quantidade para congelar em potes herméticos.
Essas mudanças não eliminam todos os desafios da maternidade, mas fazem uma diferença enorme quando você já está carregando tantas responsabilidades.
Não me importar com a opinião alheia
Uma das maiores libertações que tive foi entender que eu não poderia construir a minha maternidade baseada na opinião das outras pessoas. Sempre vai existir alguém para dizer como você deveria criar seus filhos, como deveria organizar sua casa ou quais escolhas deveria fazer.
Mas a verdade é que ninguém calça os seus sapatos. Só você sabe o peso que carrega, os desafios que enfrenta e as decisões que precisa tomar todos os dias. Foi a partir dessa reflexão que comecei a construir uma nova versão de mim dentro da maternidade. Parei de buscar aprovação de pessoas que não fazem parte da minha realidade e comecei a confiar mais na minha própria percepção.
Ouvir conselhos pode ser valioso, mas a opinião de alguém só deve ocupar espaço na nossa vida quando vem de uma pessoa que realmente nos conhece, nos ama e deseja o nosso bem. A maternidade já tem desafios suficientes. Eu não precisava carregar também o peso de tentar agradar quem não vive a minha realidade.
Conclusão: Quando a mãe também é cuidada, a maternidade fica mais leve
Hoje eu entendo que o problema nunca foi ser mãe, mas sim quando uma mãe precisa carregar tudo sozinha todos os dias. Quando percebi isso, decidi agir e buscar formas de tornar essa fase mais leve dentro da realidade que eu tinha. Hoje, com minha filha mais nova de 3 anos e minha filha mais velha de 9, posso dizer que recuperei grande parte da minha identidade e da minha saúde mental através dessas pequenas mudanças de hábitos e da forma como passei a enxergar a maternidade.
A maternidade é linda e, ao mesmo tempo, pode ser cansativa. Ela pode trazer uma felicidade imensa e também momentos de exaustão, e uma coisa não anula a outra.
Se você sente que ninguém enxerga a mulher por trás da mãe, saiba que esse sentimento é mais comum do que parece. Você não precisa deixar de amar seus filhos para admitir que está cansada ou se sentido meio perdida. Mas se lembre que é sim possível se reencontrar.Você não precisa ser forte o tempo todo. Toda mãe merece ser vista, ouvida e acolhida.
E se hoje ninguém perguntou, eu quero perguntar: Como você está?
Redescobri a mulher que eu era
Durante muito tempo, coloquei todas as minhas necessidades no final da lista, como se cuidar de mim fosse algo secundário. Mas aos poucos entendi que meus sonhos, meus projetos, meu desenvolvimento profissional e até os pequenos momentos que me fazem feliz também fazem parte de quem eu sou.
Mesmo que seja alguns minutos à noite, depois que minhas filhas dormem, encontrar um espaço para mim é uma forma de lembrar que eu continuo existindo além da maternidade. E uma dica que fez diferença para mim: quanto mais cedo as crianças dormem, mais tempo você consegue dedicar para você e para aquilo que é importante na sua vida também.
Não precisa ser horas. Às vezes, alguns minutos já são suficientes para ler algo, aprender uma coisa nova, cuidar de um projeto ou simplesmente respirar em silêncio. Se seus filhos estão alimentados, cuidados, seguros e tendo suas necessidades atendidas, não existe nada errado em reservar um tempo para você também.
Seus filhos não precisam de uma mãe que desapareceu completamente por eles. Eles precisam de uma mãe que existe, que tem sonhos, interesses e uma identidade própria.
Ajustar as expectativas e deixar o orgulho de lado
Outra mudança importante foi entender que eu não precisava fazer tudo perfeitamente. Durante muito tempo, acreditei que uma boa mãe era aquela que conseguia dar conta de tudo, mantinha a casa organizada, cuidava dos filhos, trabalhava e ainda encontrava tempo para si. Mas a maternidade me ensinou que uma boa mãe também é aquela que reconhece seus limites e entende quando precisa de apoio.
Eu precisei deixar o orgulho de lado e aceitar ajuda quando ela aparecia, mesmo que não fosse exatamente da forma que eu imaginava. Às vezes, a ajuda vem de uma conversa sincera, de uma amiga ou simplesmente de dividir uma tarefa que antes parecia ser apenas sua com quem se dispor a ajudar. Pedir ajuda não significa que você falhou. Significa que você entende que não precisa carregar tudo sozinha.
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Aprender a dizer Não
Acho que essa foi uma das mudanças que mais fizeram diferença para mim. Eu precisei entender que dizer “não” não era egoísmo, era uma forma de me preservar e proteger minha saúde mental.
Durante muito tempo, coloquei as necessidades de todos à frente das minhas e só percebi depois que quem tenta estar disponível para todo mundo o tempo inteiro acaba pagando um preço muito alto. Eu aprendi a dizer não inclusive para as pessoas como meu marido e minhas filhas.
Um exemplo simples é o meu momento de banho. Hoje, eu fecho a porta do banheiro, coloco uma música e me permito alguns minutos de tranquilidade enquanto elas estão assistindo televisão. Claro que continuo acompanhando pela câmera no celular, mas entendi que o mundo não vai acabar porque eu me ausentei por 15 minutos para cuidar de mim. Esses pequenos momentos de pausa me ajudam a voltar mais presente e paciente para a minha família.


